segunda-feira, 18 de abril de 2016

Um sorriso também pode ser uma ferida aberta



Escrever é seguir um caminho desconhecido. Um caminho que, por vezes, é um monte de pedras, que se faz com passos desajeitados, tropeçando em auroras, com os olhos fixos na estrela da determinação. Há caminhos amenos que cheiram a alfazema, há caminhos que são galáxias de noites e há caminhos que são bigornas incandescentes que percorremos, apressados, de coração palpitante. Mas quase todos se parecem com a espiral da casca de um caracol que nos leva sempre ao nosso centro. Escrever é um caminho solitário e eu escrevo sobre o que não sei, ansiando que as palavras me revelem o que sou. Não escrevo muito sobre mim. Escrevo sobre pessoas que me despertaram. E, no entanto, sei que quando escrevo sobre elas estou, na verdade, a escrever sobre mim. Nos dias difíceis em que as lágrimas são engolidas em seco, em que sinto as mãos pesadas de preocupações e me engasgo sem tossir, são essas pessoas que me servem de âncora. São as suas vozes que ouço como os pássaros que, em círculo, cochicham na primavera. E não são só as pessoas. São os lampejos de luz que me permitem vê-las com outros olhos. E palavras. E é por isso que escrevo. Para saber por que razão vêm elas ao meu encontro. E para ter esperança.

E tu, porque escreves?


Quem quiser responder à pergunta, pode enviar a sua resposta para: miss.smile.biju@gmail.com 
As respostas serão aqui publicadas na próxima quinta-feira, pela fresquinha. Tenho a certeza que as vossas partilhas darão o post mais bonito deste blogue. A miss Smile agradece. E eu também. ;)